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Essa simultaneidade de sentimentos sobre uma única pessoa me deixa em contradição. E eu não me sinto seguro para tomar decisões, decisão a qual pode me favorecer mas por outro lado, pode me prejudicar, e prejudicar muito, de uma forma a qual eu jamais quero que ocorra em hipótese alguma. Queria poder dizer, mas não é possível pois uma atitude minha pode botar tudo a perder, por um simples luxo, simples prazer. Não me sinto egoísta o suficiente para fazer isso. Não é por falta de atitude, muito menos de coragem, mas sim por zelo e por agir mais com a razão ao invés da emoção. Todos nós já passamos por situações assim, para eu não dar o exemplo dessa que venho vivenciando irei dar um exemplo paralelo a esse, que vivi em minha infância.
Quando ainda residia em
Hellcife Recife tinha um amigo, o nome dele era Pedro, o Pedro era um garoto que tinha tudo o que queria e quando queria, meus pais nunca me deixaram na mão, eu possuía uma condição de vida boa nada de luxo e muito menos de pobreza. Meu amigo Pedro possuía, assim como eu, uma coleção inteira de soldados de plásticos da Gulliver (quem é mais velho sabe o que eu to falando, rs). Eu tinha todos os soldados ingleses e todos os índios já fabricados, mas meu amigo possuía vários repetidos, e possuía 2 exemplares os quais eu não tinha por não serem brasileiros, pois o tio dele havia dado de presente em uma de suas viagens para a Argentina. E eu que amava aquela coleção cresci o olho naqueles dois soldados ingleses, principalmente em um soldado que estava em uma posição de combate super realista. E essa minha fixação pelos soldadinhos os quais eu não tinha durou um bom tempo. Até que um dia durante nossas brincadeiras diárias de guerras de soldadinhos contra índios ele teve que sair as pressas para ir com a mãe dele ao super mercado (hiper bom preço, sim eu lembro do nome) e ele me pediu para guardar o soldados dele na caixa de soldados enquanto ele iria no quarto trocar de roupa. Eu simplesmente não resisti, por luxo e por vontade de ter aquela peça única, peguei um dos soldadinhos argentinos do Pedro e guardei no meu bolso, e guardei todos os outros soldados dele na caixinha de soldados dele. No momento eu estava morrendo de medo de que ele percebesse em minha expressão que eu tinha feito algo tão feio assim, afinal ele era um amigo meu, não o melhor amigo, mas sim o segundo melhor amigo. Então assim que ele foi embora corri para casa, e passei a tarde, a noite e a manhã do dia seguinte inteira brincando com os soldadinhos, apesar de eu adorar o soldadinho que eu tinha furtado de meu amigo sempre deixava os índios ganharem nas minhas guerrinhas afinal, coitado dos índios né? rs. Mas a história não acaba aqui, no dia seguinte eu encontrei o Pedro, e ele me perguntou se eu tinha visto o soldadinho dele, eu menti, disse que não, e vi nos olhos dele aquele vazio de tristeza, não me tocou muito na hora, pois eu sabia que ele nem ligava direito para aquele par de soldados perfeitos, mas de qualquer forma eu fiquei ressentido. Com o passar dos dias o Pedro estava com menos ânimo para brincar, e sempre com um olhar bem triste e sombrio, era algo que as vezes contagiava, e eu cansado de ver aquela cena, decidi devolver o soldadinho para ele e confessar para ele, dizer que peguei pois era algo que me atraia e que me deixava fascinado, e com essa atitude devolver a alegria para ele e voltar a brincar com ele feliz, mesmo sem meu objeto de ostentação. Mas não ocorreu como eu imaginava, o Pedro aceitou as desculpas, ficou feliz por ter o soldado de volta, mas me evitou, no principio sempre que eu o chamava para brincar ele tinha um compromisso ou estava ocupado ajudando a mãe dele, e com o tempo sumiu de minha vida.
Bem, não é uma historia bonitinha, mas tem muito a ver com o que estou vivendo.
Certos erros do passado nos servem como ensinamentos para o futuro, e eu não burro o suficiente para errar duas vezes. Ou sou?
aqui fica uma duvida minha, ou melhor, uma bifurcação sentimental.
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Airway - Faded Lights
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